terça-feira, 3 de outubro de 2017

A Beira do Abismo

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    Eu estou a beira do abismo e eu tenho que pular, não existe outra opção. O medo de pular as vezes nos impedem de conquistar diversas coisas, ele nos trava, realmente não é fácil, mas é um mal necessário. Não saber o que vai acontecer nas próximas duas horas é assustador mas eu não estou no controle, exatamente, eu estou fora do controle, não da mais para aceitar os comandos: coloca no 5, abaixa, não! Aumenta o Volume! Passa, não! Volta! Chega! 
   Parece que a derrota chegou mais cedo hoje, eu sinto a impotência, mas eu sinto também minha importância, é um misto de eu posso com o eu consigo e também a negação de tudo isso. Como se me colocaram aqui e me disseram "Pula!", mas eu estou sem paraquedas! O voo vai ser pesado e ao chegar lá em baixo quem se quebra? O chão me destrói ou eu que destruo ele?  Essas são coisas que eu só vou descobrir, pulando! 
   O frio na barriga é presente, o medo existe, mas não me impede. Estou pronto! Vai pula! Não! Respira fundo, estou pronto, mas um impulso não me sustentará no ar, o que farei? Exatamente, o que farei?
    Eu tenho tudo a meu favor e contra, também. Só quando eu chegar no final, vou saber quem se destrói e isso por enquanto não me abala! 
     A imagem que me vem na cabeça, sobre tudo isso, é quando você dorme e sonha que está caindo mas ai você acorda assustado e percebe que está tudo bem.
    Se a evolução não fosse incomoda, seriamos todos seres-humanos exercendo a sua humanidade, sem discutir em quem o beijo foi dado, se minha fé é superior ou inferior, se minha conta tem mais ou menos... No abismo da evolução existem aqueles que não pulam por terem medo e aqueles que pulam mesmo com medo. Eu particularmente prefiro a segunda opção.
     Escalamos uma montanha, chegamos ao topo, vemos o nosso redor tudo que conquistamos, tudo o que vivemos... E no topo ou você se acomoda ou se incomoda, você pode voltar o caminho que fez, você pode ficar, você pode pular... Depende daquilo que você deseja, ao pular você pode encontrar outra montanha, para conquistar e pular de novo.
     Afinal ao ficar você se acomoda ou se incomoda? Se te incomoda, você pula? Eu me vejo a beira do abismo, a beira da morte. 
     A morte também é um abismo ao qual você tem que pular, é uma viagem que deve ser feita, não tem como escapar. É o tipo de viagem que te leva a outro lugar ao qual você nunca saberá qual é, mas você tem que ir uma hora, a questão é: quantos saltos você deseja fazer antes do último abismo chegar? Vai conquistar quantas montanhas antes da última chegar? Você pode esperar ou pode seguir em frente, mas o salto tem que ser dado e o medo, ele sempre vai existir!

- Caio Bigliazzi

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