quinta-feira, 19 de maio de 2016

Carta Aberta do Retrocesso





    Sabe, a cada dia que passa perco mais a esperança de um futuro possível, com pessoas boas, aos poucos vejo os anos retrocederem a cada segundo, e em poucos dia me deparar com 1964, posso parecer louco mas vejo o quanto estamos preso a certas normas.
    Mesmo que a liberdade esteja a nossa frente me vejo acuado ou com medo de fazer minha arte ou de me expressar, preso a coisas que antes não me preocupavam, de hora em hora me deparo com uma nova noticia, tão antiga que  não parece fazer parte do tempo real, mas sim isso está acontecendo, o ataque as artes, artistas, negros, gays, mulheres, estudantes... E me pergunto o porque de tanto ódio? Ou melhor, o porque de tanto egoismo?  Horas e horas penso e vejo o quanto avançamos mas ainda  vejo como somos "Como Nossos Pais".
    Não sei exatamente o que sinto, é um misto de medo e força que se desloca por dentro de mim e pelo meu corpo querendo sair, que acaricia e que dói, quero mexer as massas e fazer parte do bolo, me vejo  fazendo pequenas coisas, em busca de mudança e de reforma, só para acalmar um pouco a alma de um pobre coitado. Tento, mesmo que inutilmente, fazer com que as pessoas se unam um pouco mais, porem é visível que entre duas pessoas se encontra um abismo de ideias contrarias, uma ignorando a outra imersas em suas verdades, o perigo do surdo que fala sem saber o que diz, está em todos os cantos, o perigo está em casa. 
    Existem aqueles que mal sabem oque falam, mas falam só pra ter uma opinião, com medo de se sentir ignorantes ou excluídos, com isso reproduz aquilo que a tela lhe mostra, criando então a sociedade dos ignorantes reprodutores. 
     Vejo o medo, nos olhos, no corpo, nas mãos, na fala, no áudio, na foto e na tv... Busco companhia, pois sei que sozinho é impossível, é um tempo de travessia e se não ousarmos faze-la teremos ficado...  
     Ainda acredito na flor que nasce no concreto.
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