terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Conflitos Internos




Amor, meu amor
Desculpe-me pela dor
Perdoe-me pelo sofrimento
Mas não posso evitar
Esse não é meu momento

Dilacerado em dois
Pelo amor
Pelo prazer
Pela dor
Por você

Dois caminhos
Dois desejos
Lindos Meninos
Qual dos destinos?
Carne ou coração?
Amor ou Perversão?

Menino que quero
Outro que devo amar
Menino belo
Outro de coração bom
Menino lindo
Outro que não tem som

Coração e carne
Até que me desencarne
Sentimento e razão
Desejos e paixão
Juntos a mim estão

-Caio Bigliazzi

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Ubu Rainha - Isso Não é Teatro!



    Hoje em dia temos inúmeras formas de teatro ou de fazeres teatral e vivemos na era do tal do teatro contemporâneo, que nada mais é que o teatro feito nos dias atuais, ou seja, qualquer forma, gênero ou estilo teatral efetuado nos dias atuais é teatro contemporâneo. Sendo assim vivemos em uma época contemporânea onde tudo é atual, e o antigo se torna o velho-novo, retro. A atualização de antigas ideias em novas, reciclagem, a época de mistura, de criação... Nada hoje é descartado, tudo é aproveitado, reutilizado ou dado um novo significado, senão for útil servirá para o registro da história.  
   Fazer teatro nos dias atuais é buscar pela insanidade, pois hoje não temos mais a clareza, e na minha opinião nem precisaríamos ter, a classificação dos gêneros, tudo é muito mesclado ou conjunto, podemos ver um drama com performance ou um épico realista, realismo fantástico... Enfim, hoje podemos dizes que vivemos na era do teatro confuso, sem cara, gênero, ou rotulo o que por outro lado é libertador, hoje existe uma gama de escolha  diferente de outras épocas que manifestações teatrais eram fechadas a uma única forma, ou pelo menos apenas uma era aceita perante os olhos dos grandes não entendedores de teatro, críticos e elite. Mas uma coisa que não podemos esquecer que fazer teatro sempre foi e sempre será uma manifestação.
    E por hoje ser tão subjetivo o fazer teatral é um pouco absurdo dizer ou definir o que é teatro, não existem regras hoje que definem o teatro, por isso a pergunta que é feita nessa era é o que é Teatro para você? O que você considera como teatro? Existem inúmeras coisas sendo apresentadas e mostradas ao público, outras boas, outras ruins, umas você vai gostar e outras não! Mas o que é teatro afinal? 
    No sentido etimológico: do grego Theathron, theasthai - Olhar / tron - lugar, literalmente "lugar de onde se vê"  e de um forma mais poética por um cara no qual que não me recordo o nome: "O Teatro só existe através de um (Ator), o público e uma paixão que os une".
   Sendo assim depende do alhar de quem assiste, os olhos do publico que completa a obra, se algo não te agradou ou no seu entendimento, não faz sentido ou não tem significado, é o seu ponto de vista o que quer dizer que não está certo, mas também não está errado assim como o ponto de vista do outro.
   Voltando no ponto manifestação, Ubu Rainha foi a manifestação sob a luz e sobre um "palco", hoje faz uma semana do termino da temporada do espetáculo e tive que esperar esse tempo até poder compreender e refletir sobre tudo que ocorreu. Ubu Rainha é um texto escrito por Renato Mendes, que dirigiu o espetáculo, inspirada na peça Ubu Rei de Alfred Jarry, e fala exatamente das figuras de poder que nos cercam, que são autoritárias e abusam do poder para fazer o que elas querem, a Sra. Ubu é um simbolo que nos faz lembrar de todos os outrxs Ubus que encontramos por ai. 
   Por ser um peça de formatura a expectativa do público era  algo sério, dramático, pesado, realístico, clássico... E o Ubu Rainha é uma comédia com características bufonicas , o intuito da peça era rir do público, era mostrar o quão ridículo o que acontece hoje e sempre, provocar, atiçar e incomodar as pessoas sérias, trazer a dialética através do riso. Esperto os que riram conosco.
   A peça não estava pronta, tínhamos erros em cena, alguns deslizes na atuação, algumas duvidas, problemas com o texto, a peça realmente não estava pronta e impecável. Teatro só se aprende fazendo, é uma pena que não poderíamos ter uma temporada mais longa, para aprender mais com a peça e trazer mais ideias e criar, além de pouco tempo de ensaio e alguns problemas durante o processo, estreamos sem uma peça pronta, tínhamos uma joia bruta a ser lapidada no "palco" mas que bom também, pois segundo Peter Brook "A partir do momento em que a peça é dada como pronta, é sinal que o teatro começou a morrer".
   Recebemos muitas criticas sobre nossa manifestação, umas positivas, outras negativas, algumas descartáveis e tantas outras que talvez só vamos compreender daqui um tempo.
   Mas deixo aqui meu agradecimento a quem nos disse que isso não era teatro, sinal que nosso objetivo foi alcançado.

- Caio Bigliazzi


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