sábado, 4 de outubro de 2014

É Espontâneo




   Como é no minimo engraçado, aqueles momentos reais que ocorrem com você que remetem para  aquelas cenas clássicas de filmes, contos ou livros, esses certos momentos que são raridade na vida  e acaba nos mostrando lados nossos antes inexplorados e sensações extremamente novas e desconhecidas, onde a sensibilidade nos permite receber algo novo e como no meu caso, pude ver e ter o prazer de sentir o quanto um segundo de um olhar pode lhe dizer tantas coisas.
    Na primeira vez que vi, a primeira reação foi reparar no físico, obvio, o que no caso é de se agradar que me chamou a atenção, um cabelo arrumado, a roupa ajeitada... Um tipo de perfeição que você repara, mas percebe que é algo incomum, mas até então tudo estava na mesma. Aos poucos, apesar de estar concentrado no trabalho e no que está fazendo, você amplia a sua percepção para saber mais sobre aquela pessoa, e a sensação que lhe é retribuída de uma forma diferente, o jeito que ela é acaba te cativando mais e deixando você aproveitar mais e saborear tudo aquilo, a simpatia, o carisma, vai te afetando... Até haver a primeira troca de olhares.
   Algo inexplicável, não vou dizer paixão a primeira vista, nem nada disso, mas foi naquele olhar que me veio a necessidade de saber mais, contar mais, o momento que faz você desejar que a pessoa fique pois a presença dela lhe conforta. Não é algo criado, surgiu ali uma relação espontânea. Onde em um segundo de olhar pode afetar seu dia e a sua relação com a outra pessoa, que de certa forma lhe retribuía com os mesmos sentimentos e pensamentos. Oque primeiramente parecia uma loucura da sua cabeça, mas é real, estavam os dois seres ali em comunhão,  desejando o mesmo que o outro.
  Mas surge o medo, timidez que faz com que ambos expressem o mesmo sorriso envergonhado, aquele que surge no canto da boca e faz com que modifiquem o rumo do momento. Mas ainda presos inconscientemente na relação que havia ocorrido. E a surpresa de um "até, logo" e de um beijo no rosto, no final da primeira conversa e deixando as marcas de que ambos queriam encontrar um ao outro, provavelmente só para conversar.
    Alguns dias depois, após passar um certo tempo, do primeiro impacto. Mas uma vez os olhares se retribuem em meio a uma multidão de pessoas, onde um se mantem tímido e o outro fica bobo, porém ambos com o mesmo desejo de uma conversa, nem que seja um "Oi". Todos olhavam para a pessoa nova com aqueles olhos de leão prestes devorar  a presa, enquanto entre os dois seres, havia uma troca de olhar diferente dos demais. No vontade de falar com o outro, o desejo de se aproximar, era massacrado pelo medo das reações e também pela timidez de falar, um rodeado por pessoas totalmente novas, enquanto o outro estava com receio de invadir o novo circulo de amizades do outro, mas os olhares bastaram para entender um ao outro.
   Mas em um certo momento apesar da distância entre os dois, o estranho deu um caloroso "Oi" com um longo sorriso, e o novato retribuiu quase que na mesma hora, e assim chegou o fim da troca de olhares do dia, onde o último estava estampado com um longo sorriso.
     É estranho a relação que fora estabelecida naturalmente.
    E fui para a casa com aquela angustia no peito de não ter complementado com um "tudo bem?" e impedir que os leões atacasse aqueles olhos, e no caminho ao coçar o olho com o dedo sujo, fez com que o olho começasse a lacrimejar e fez com que algumas lágrimas escapassem, uma por uma, gelada que descia lentamente pelo rosto e com o vento gelado parecia que ela iria lhe cortar, como se fosse uma fina lamina. 
   E aquelas lágrimas banais, sem motivo ou sentimento, tornou visível a angustia que gerava dentro de mim, lenta e cortante, mesmo que nada tivessem um sentido, aquilo tudo era real.
     Mas ainda sustento o desejo de me deparar novamente no conforto daquele olhar.

-Caio Bigliazzi

Continue Lendo ►

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Encarar a Simplicidade dos Fatos


Continue Lendo ►